O uso dos dedos e as habilidades matemáticas em crianças com paralisia cerebral hemiplégica

A teoria da cognição corporificada sugere que as representações mentais, abstratas, se apoiam nos sistemas corporais, seja sensorial ou motor. Essa perspectiva nos ajuda a entender sobre a hipótese conhecida como “manumerical cognition” que afirma que o uso dos dedos durante a infância auxilia na compreensão dos números, na aprendizagem das quantidades, de suas propriedades (cardinalidade e sequenciamento) e também na execução das operações aritméticas. Continuar lendo

Dificuldades de aprendizagem da matemática e memória de trabalho

As dificuldades de aprendizagem da matemática (DAM) consistem em uma condição que altera a aquisição das habilidades aritméticas. É um déficit de aprendizagem no qual a criança tem dificuldades persistentes na matemática (Butterworth, 2005 apud Haase et al., 2012). Indivíduos com DAM podem ter dificuldade em compreender conceitos numéricos simples, bem como em ter uma compreensão intuitiva de número. Além disso, podem ter problemas para aprender fatos aritméticos e procedimentos matemáticos em geral. Ainda que eles produzam uma resposta correta ou usem o método correto, podem fazê-lo mecanicamente e sem confiança (Butterworth, 2005; Geary, 2005 apud Haase et al., 2012). Continuar lendo

“Garotos-problema”: sintomas, causas e prognóstico do Transtorno Desafiador de Oposição

“Toda semana, todo dia vai bilhete no caderno dele pra mim, por mau comportamento, que Tiago fez, que Tiago aconteceu… Ontem mesmo eu falei: Tiago, eu já não aguento mais… Sinceramente, tem horas que dá vontade de tirar ele do colégio; que eu tenho mil e um problemas, eu tenho que pensar pra cinco [referindo-se aos cinco filhos], não é só por ele.”

Mãe de Tiago, 8 anos, criança com sintomas de comportamento agressivo e transgressor (Pesce, Assis, & Avanci, 2008). Continuar lendo

Representação numérica baseada nos dedos: mais do que apenas outro código simbólico

Em 1992, o modelo do triplo código, de Dehaene, surgiu como forma de explicar o funcionamento dos circuitos cerebrais envolvidos não só no processamento numérico, mas também no processamento de cálculos matemáticos. O modelo, ilustrado na Figura 1, propõe que existem três tipos de representações numéricas: analógica, simbólico visual e verbal auditivo. Continuar lendo