Habilidades numéricas em crianças com deficiência intelectual

As habilidades numéricas básicas, como contar conjuntos, entender o valor do dinheiro e resolver problemas aritméticos simples são essenciais para viver independentemente. No entanto, ainda é um tema pouco explorado no campo das deficiências intelectuais.
Há evidências de que, somando a prevalência de deficiência intelectual em síndromes e a prevalência de deficiência intelectual sem uma etiologia conhecida, há um contingente grande de pessoas que precisam de assistência multidisciplinar, constituindo um problema de saúde pública.

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As perguntas que emergem são: será que as dificuldades em manipular quantidades e números frequentemente encontradas em crianças com deficiência intelectual são explicadas apenas pelo rebaixamento da inteligência? Ou as crianças entendem quantidades, mas possuem dificuldade para lidar com o número na sua forma simbólica? Crianças com deficiência intelectual são capazes de aprender cálculos simples, entender o valor do dinheiro?

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Apesar de a deficiência intelectual ser definida como um estado de redução do funcionamento intelectual inferior à média (comprometimento global), associado a limitações em pelo menos dois aspectos do funcionamento adaptativo, o perfil cognitivo pode ser bastante discrepante e heterogêneo. Algumas síndromes genéticas e não genéticas podem apresentar, por exemplo, um comprometimento relativamente seletivo das habilidades numéricas. Em alguns casos, como nas síndromes de Williams (Paterson, Girelli, Butterworth, & Karmiloff-Smith, 2006) e velocardiofacial (Oliveira et al., 2014) observa-se um comprometimento das habilidades numéricas básicas (comparação de quantidades). As evidências disponíveis indicam, por outro lado, que a capacidade de diferenciar quantidades pode estar relativamente preservada em indivíduos com deficiência intelectual não-sindrômica (Oliveira et al., 2014).
Se conseguíssemos entender melhor como se dá o desenvolvimento das habilidades numéricas em crianças com deficiência intelectual, seria possível o desenvolvimento de programas de reabilitação eficazes, como ocorre com a alfabetização. Atualmente é possível alfabetizar uma criança com deficiência intelectual baseada no método fônico e técnicas comportamentais baseadas no reforço positivo. Mas esse avanço só foi possível a partir de anos de investimento e pesquisa na área.

Referências

Oliveira, L. F. S., Santos, A. O, Vianna, G. S, Di Ninno, C. Q. M. S., Giacheti, C. M, Carvalho, M. R. S, Wood, G., Pinheiro-Chagas, P., & Haase, V. G. (2014). Impaired acuity of the approximate number system in 22q11.2 microdeletion syndrome. Psychology & Neuroscience, 7(2), 151 – 158.

Paterson, S. J., Girelli, L., Butterworth, B. &Karmiloff-Smith, A. (2006). Are numerical impairments syndrome specific? Evidence from Williams syndrome and Down syndrome. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 47, 190-204.

Lívia de Fátima Silva Oliveira
Doutoranda em Neurociências/UFMG