Transtorno Não-Verbal de Aprendizagem: Conferência de Irene Mammarella (Pádua) no III Congresso Mineiro de Neuropsicologia

Não percam a conferência que será ministrada pela Profa. Irene Mammarella, uma das convidadas internacionais que prestigiará o III Congresso Mineiro de Neuropsicologia, a se realizar no Campus da Pampulha da UFMG entre 14 e 16 de maio de 2015. Para mais informações sobre o congresso, clique aqui.

Saiba mais sobre a Profa. Mammarella visitando seu perfil no site da Universidade de Pádua ou no ResearchGate.

O transtorno não-verbal de aprendizagem (TNVA) é um dos quadros mais intrigantes observados na neuropsicologia (Haase, 2007). O termo se aplica a um grupo de crianças com dificuldades peculiares de aprendizagem. A inteligência é normal, mas a criança apresenta um perfil discrepante de desempenho. A inteligência verbal é preservada, sendo observadas dificuldades muitas vezes graves em tarefas não-verbais. A leitura de palavras isoladas é aprendida, mas a criança tem muita dificuldade com a compreensão. Adicionalmente, há problemas na aprendizagem da matemática, associados a dificuldades sociais, visoespaciais e de coordenação motora.

O diagnóstico de TNVA é importantíssimo, uma vez que essas crianças pouco se beneficiam de contextos mais informais de aprendizagem, baseados na experimentação e descoberta. As crianças com TNVA necessitam de um contexto mais estruturado para a aprendizagem, baseado no formato verbal e enfatizando a instrução explícita (Rourke, 1995).

O TNVA não é uma entidade nosológica reconhecida pela psiquiatria (American Psychiatric Association, 2013). Em grande parte, isto se deve à falta de clareza quanto à especificidade da síndrome. Enquanto as dificuldades motoras caracterizam o transtorno do desenvolviimento da coordenação motora, as dificuldades sociais são típicas dos transtornos do espectro autista. A característica distintiva do TNVA parece estar relacionada às dificuldades visoespaciais (Salvador et al., 2013).

A hipótese de que a característica distintiva do TNVA sejam as dificuldades visoespaciais tem sido investigada há muitos anos pela Profa. Irene Mammarella em conjunto com o Prof. Cesare Cornoldi, ambos de Pádua (Cornoldi et al., 2003, Mammarella & Cornoldi, 2014, Mammarella et al., 2006, 2010, Venneri et al., 2003). Em uma metanálise recente, Mammarella e Cornoldi (2014) analisaram dados de 35 estudos e constataram que as dificuldades visoespaciais constituem o critério mais importante para identificar crianças com transtorno não-verbal de aprendizagem. A partir disso, eles propuseram uma reformulação dos critérios diagnósticos, a qual será discutida na conferência da Profa. Mammarella no III Congresso Mineiro de Neuropsicologia.

Vitor Geraldi Haase

Prof. Dr. do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais

Coordenador do Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento

Referências

American Psychiatric Association (2013). DSM-5. Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Washington, DC: American Psychiatric Press.

Cornoldi, C., Venneri, A., Marconato, F., Molin, A., & Montinari, C. (2003). A rapid screening measure for the identification of visuospacial learning disability in schools. Journal of Learning Disabilities, 36, 299-306.

Haase, V. G. (2007). O que é o transtorno não-verbal de aprendizagem? Reabilitação Neuropsicológica. Informações para pacientes e familiares (disponível na Internet: http://npsi-reha.blogspot.com.br/2007/04/o-que-o-transtorno-no-verbal-de.html).

Mammarella, I. & Cornoldi, C. (2014). An analysis of the criteria used to diagnose nonverbal learning disability. Child Neuropsychology, 20, 255-280.

Mammarella, I. C., Cornoldi, C., Pazzaglia, F., Toso, C., Grimoldi, M., & Vio, C. (2006). Evidence for a double dissociation between spatial-simultaneous and spatial-sequential working memory in visuospatial (nonverbal) learning disabled children. Brain and Cognition, 62, 58–67.

Mammarella, I. C., Lucangeli, D., & Cornoldi, C. (2010). Spatial working memory and arithmetic deficits in children with nonverbal learning difficulties (NLD). Journal of Learning Disabilities, 43, 455–468.

Rourke, B. P. (1995). Educação de crianças com transtorno não-verbal de aprendizagem (TNVA) (disponível na Internet: http://npsi-dev.blogspot.com.br/2006/10/educao-de-crianas-com-transtorno-no.html,Traduzido e adaptado a partir de: Rourke, B. P. (1995). Treatment program for the child with NLD. In B. P. Rourke (Org.) Syndrome of nonverbal learning disabilities. Neurodevelopmental manifestations (pp. 497-508). New York: Guilford.).

Salvador, L. S., Antunes, A. M.,., Starling-Alves, I., Martins, G.A., Paiva, G. M., Prado, A.C.A., Almeida, F. N., Barbosa, D. C. B. P., Pêsso, M. G., & Haase, V.G. (2013). O status nosológico do transtorno não-verbal de aprendizagem e suas conexões com os transtornos do espectro do autismo. In W. Camargos Jr. (Ed.). Síndrome de Asperger e outros transtornos do espectro do autismo de alto funcionamento: da avaliação ao tratamento (pp. 249-263). Belo Horizonte: Artesã (ISBN 978-85-8800-932-5).

Venneri, A., Cornoldi, C., & Garuti, M. (2003). Arithmetic difficulties in children with visuospatial learning disability (VLD). Child Neuropsychology, 9, 175-183.