A importância da neurociência na educação

A neurociência é um conjunto de disciplinas que estudam o Sistema nervoso e o seu principal objetivo é compreender as funções cerebrais e mentais. Em um mundo dinâmico e cheio de possibilidades de conhecimento que vão além dos livros e cadernos, entender como a aprendizagem se constitui em termos cognitivos expande os horizontes de ensino e potencializa as capacidades dos alunos.

Os estudos da neurociência sobre o funcionamento do cérebro, no que diz respeito à aprendizagem e memória, podem transformar o modo de ensino. O que a neurociência está propondo é uma união dos conhecimentos biológicos, cognitivos e pedagógicos para uma melhor forma de aprendizagem e desenvolvimento educacional. Isso poderá revolucionar as escolas, através da exploração da tecnologia, gerando eficiência no ensino­-aprendizagem. Além disso, poderá responder o grande enigma para a neurociência, que é como a aprendizagem ocorre no cérebro. Então, tanto a educação quanto a neurociência tendem a ganhar nessa parceria!

A neurociência, através das suas ferramentas, como a neuroimagem, o eletroencefalograma (EEG), e os métodos de avaliação da cognição e da aprendizagem, pode avaliar e propor práticas que melhorem a educação. Para isso ocorrer, pesquisas devem ser feitas e técnicas e práticas, juntamente com os alunos e professores das escolas, devem ser traçadas. No entanto, há uma grande lacuna entre resultados de pesquisa e aplicação na sala de aula. As escolas não estão sendo alvo de pesquisas suficientes e compatíveis com a sua importância na vida das pessoas. Além disso, as pesquisas que foram feitas demonstrando técnicas para uma melhor eficácia do ensino nas escolas, geralmente, não foram postas em prática. Este cenário não é culpa do professor, uma vez que, ele entende que aprender é apenas transmitir conhecimento e não construir conhecimento, que todos os alunos assimilam informação da mesma forma e que as práticas educacionais empregadas por ele são plenamente científicas. Dessa forma, cabe ao cientista mostrar o quanto as escolas empregam técnicas de aprendizagem ineficientes, a diferença de assimilação das informações pelos alunos e o quanto o professor é importante para melhorar o ensino aplicando as práticas educacionais que proporciona aos alunos melhor qualidade de ensino (Kurt W. Fischer).

Entender os processos da consolidação da memória, da atenção, do medo, dos sentidos, da linguagem, das imagens que formam o pensamento, do desenvolvimento infantil e das diferenças básicas nos processos cerebrais da infância, constituem uma base de informações que podem ser utilizadas e otimizadas na hora de se ensinar as crianças e os adolescentes. Outro fato que sustenta a implementação da neurociência é a super valorização atual do estudo na graduação e na educação acadêmica. É importante utilizar técnicas que melhorem a aprendizagem desde a infância, para que crianças e adolescentes possam aprender sem ter grandes desgastes físicos e mentais. Para isso, pode-­se pensar em deixar as aulas mais interativas e dinâmicas, com o auxilio de objetos táteis e recursos audiovisuais que otimizem a experiência do infante a fim de ajudá­-lo no processo de aprendizagem.

O conhecimento da neurociência pode ajudar também crianças que tenham algum tipo de limitação cognitiva, que dificulte a sua aprendizagem, melhorando seu desempenho acadêmico através de estratégias alternativas de ensino voltadas para as habilidades da pessoa. Estas práticas são fundamentais para as escolas se tornarem cada vez mais inclusivas e ofertar uma educação de qualidade para crianças portadoras de alguma síndrome ou transtorno que afete o seu aprendizado.

Algumas das estratégias às quais a pedagogia pode recorrer, baseando­-se em conhecimentos neurocientíficos, são: utilizar recursos multissensoriais (visual, auditivo, tátil), no qual são acionadas redes neurais mais amplas e as sinapses são fortalecidas; não ter aulas muito extensas para a atenção do aluno não ser comprometida, assim como realizar a repetição de matérias para melhor fixação na memória. Também é válido ressaltar que dificuldades de aprendizagem podem ser em decorrência de condições sócio­econômicas desfavoráveis, pois crianças sem acesso a material didático, sem incentivo dos pais, sem um ambiente familiar tranquilo, possuem grandes possibilidades de terem dificuldades no processo de aprendizagem.

Maria Vitória Cruz da Silva
Emanuelle de Oliveira Silva
Luana Ribeiro Santos
Jéssica Pereira Alves
Alunas de iniciação científica do Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento – LND-UFMG

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