Contagem nos dedos: uma via adicional para adição?

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Nos últimos anos a contagem nos dedos vem sendo considerada como uma importante habilidade no desenvolvimento das habilidades aritméticas. No entanto, os resultados dos estudos sobre essas conexões ainda não são consistentes. A relação entre a contagem nos dedos e as habilidades matemáticas pode ser influenciada tanto por mecanismos cognitivos gerais, como inteligência e memória de trabalho, quanto por mecanismos cognitivos específicos, como as gnosias digitais. Além disso, os padrões canônicos dos dedos ou mesmo fatores genéticos, como os polimorfismos funcionais da enzima COMT, podem influenciar essa conexão.

À vista disso, este projeto pretende investigar quais são os padrões canônicos de demonstrar numerosidades com os dedos (finger montring) das crianças brasileiras; a relação entre contagem nos dedos e o desempenho aritmético; os efeitos mediadores de habilidades cognitivas gerais sobre a relação entre contagem nos dedos e o desempenho aritmético; a relação entre gnosias digitais, processamento automático dos padrões canônicos dos dedos e  as habilidades aritméticas;  os efeitos de moderação dos polimorfismos funcionais da COMT na relação existente entre memória de trabalho, gnosia digital e o desempenho aritmético; e o impacto do incentivo à contagem nos dedos durante os cálculos sobre as habilidades matemáticas no final do primeiro e segundo  ano do ensino fundamental. Para isso, será feito um estudo longitudinal, no qual os sujeitos serão avaliados quatro vezes ao longo de dois anos. Serão avaliadas as habilidades cognitivas gerais, memória de trabalho, habilidade visoespacial, habilidades motoras, contagem, gnosias digitais, aritmética e senso numérico. A primeira avaliação ocorrerá no início do ano escolar. Após esta avaliação os sujeitos serão divididos pseudorandomicamente em três grupos, sendo que o primeiro grupo passará por um treinamento de processamento automatizado de padrões canônicos dos dedos, o segundo grupo passará por um treinamento de representação de magnitudes não-simbólicas (pontos) e o terceiro grupo será o grupo controle. Caso seja observado um efeito significativo de um dos treinamentos, o terceiro grupo será submetido à intervenção após a última avaliação. Após o treinamento os sujeitos serão avaliados pela segunda vez. A terceira avaliação será no final do primeiro ano do ensino fundamental e a quarta avaliação ocorrerá no final do segundo ano. O método de análise de dados será  quantitativo. Desta forma, serão feitas análises estatísticas descritivas, análises de regressão e modelos de equação estrutural. Este projeto é relevante cientificamente, uma vez que investiga os mecanismos subjacentes da aprendizagem matemática no início da vida escolar. Do ponto de vista de social, os resultados deste estudo podem influenciar no desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a área de educação matemática. Além disso, a relevância clínica consiste no fato de investigar e propor possíveis marcadores cognitivos do transtorno de aprendizagem da matemática.